terça-feira, 18 de setembro de 2012

colher borboletas

é privilégio de quem planta lagartas

crescente


vejo a lua
ainda
indo
vai sumindo
sumindo
a lua
crescendo
partindo
a lua
fita
fina
linda
ainda
vejo a lua
logo
não mais


domingo, 9 de setembro de 2012

> bom dia !

> > > > > > acorda baby
> > > > > > já é tarde
> > > > > > olha o céu azul
> > > > > > da cor
> > > > > > deste domingo
> > > > > >
> > > > > > acorda baby
> > > > > > que o dia está lindo
> > > > > > que o tempo
> > > > > > anda lento
> > > > > > e o sol
> > > > > > está sorrindo
> > > > > >
> > > > > > acorda baby
> > > > > > já passou da hora
> > > > > > de estar dormindo
> > > > > >
> > > > > > acorda ...
> > > > > >
> > > > > > eu já vou indo ...

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

2012



1. HOJE

céu de bladerunner
cinza azul violáceo
fim de tarde
as nuvens baixas sobre nossas cabeças
transformam as cores em tons de púrpura
telhados refletidos e cachorros latindo
o telefone toca e a vontade é de não atender
alô
era o vendedor
não
não vai chover sobre nossas cabeças
não
nem prenúncio de precipitação
nem gota perdida
céu chumbo seco de outono
ar que não respiro
mais um trajeto curto esbanjando diesel
e a noite caí
e a lua cresce
mas a ar odor permanece
diariamente
produzindo corpos mentes doentes
no corre corre esbaforido pelas calçadas
no trânsito estúpido entupido das esquinas
nas filas das clínicas corredores hospitalares
não vai chover pelos próximos dias
nem nunca
repete
minha cabeça pesada e poluída
enquanto os tons de céu púrpura violáceo
dão lugar a luz tosca do poste em frente à casa
noite alguma existe
perambulo atentamente entre as palavras
respiro pouco
bebo água e uisque no mesmo copo
no mesmo corpo
cigarro
catarro
poeira
anseio de chuveiro
água de chuva
cheiro de chuva
terra molhada
suores
ardores
tremores
que fosse esse o fim
distante dos melhores vinhos
tão longe de Paris
meu último gesto de ternura
um gosto de lágrima futura
que lentamente se inaugura

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

antigos


gosto de trazer o chão brilhando
 e a roupa coarada
areá panela
gosto de levar a panela brilhando
e a roupa alva 
no serviço da casa
ofício poético

gosto de trazer as palavras brilhando ...

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

precaução e cautela

A MEDA

a Meda tinha medo de tudo
tinha medo de fantasma,
tinha medo de barbudo

tinha medo de policia
que só dava má notícia
tinha medo de ladrão
que pulava o seu portão

tinha medo de caranguejo
que beliscava seu pé
tinha medo de piranha
e também de jacaré

quando via um marimbondo
a Meda saía correndo
e se escutava um estrondo
as pernas ficavam tremendo

se subia uma montanha
depois de uma certa altura
o seu medo aumentava
se transformava em paúra

pra Meda nada é seguro
corria até mesmo da sombra
nunca saía no escuro
e também não pegava onda

não andava à cavalo,
tinha medo de cachorro
se escutava um estalo
gritava pedindo: socorro !

tinha medo de muita gente
medo de estar sozinha
tinha pavor de serpente
medo... até de galinha

se a Meda ficasse em casa
não saía do sofá
com medo que o bicho-ladrão
surgisse de algum lugar

um dia, eu disse pra ela
não ter tanto medo assim
o mundo era tão belo
olhe as flores do jardim !

- pra quem tem informação
o medo não manda não
basta ser cauteloso
e ouvir o coração...

sábado, 18 de agosto de 2012

apocalipse

vim nesta vida a passeio
recreio interminável
nasci poeta
esqueça
pau que nasce torto
vira trepadeira
entre paris e barcelona
trazer à tona
o meio da terra
o magma
denso
pra depois submergir
e verter
o inverso
nas águas frias
dos pirineus

verbalizei
o concreto na sala estar
não foi fácil
vomitar na sua frente

passei por aqui
e acenei
– nada de novo sob o sol
as referências eram outras
reverências
mas não deu tempo

o tempo dos rios
dos aeroplanos
dos aeroportos
dos passarinhos
migratórios
vi
mas não estava lá

o trânsito de marte
o tráfego aéreo
congenstionamento solar
me atrasei
o que é que eu tô fazendo aqui?

é bom estar no multiverso
sempre acreditei que a poesia
salvaria o mundo
dos deuses e da ciência
mas isso foi antes
de te conhecer

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

saudades da chuva


entre venus e plutão
rota de colisão
amsterdam
pela manhã
anéis de saturno
o céu de júpiter
é o limite
acredite
foi afrodite
quem me disse
que entre urano e marte
há um combate
é certo
a bola oito
no buraco negro
é meu palpite
não grite
que a velocidade
da luz
é bem maior
que o lapso
do tempo
e num piscar
de olhos
do Buda
tudo muda
tudo se ajeita
me ajuda
que entre o céu e terra
não há pedra
sobre pedra
que não ceda
água que mata a sede
rompe as nuvens
invade a tarde
até quebrar
sua dureza

terça-feira, 14 de agosto de 2012

aqui e agora

fico feliz
quando amanhece
o dia
quando a luz
aponta

fico feliz à toa
e me entrego
de carne
osso
sentimento
a tudo aquilo
que antes
fosse
mais

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

genocídio

me tire daqui
antes que eu cometa
essa loucura
e asteróide-me
no espaço tempo
fresta que me resta
lucidez incompleta
lúcifer
asteca
me tire daqui
que as luzes
se apagaram
e a cortina
carcomida
de veludo vermelho
entardeceu
e não é que você veio
mesmo
no meio da noite
num cavalo todo branco
prateado de lua
nova
não é que você veio
a tempo
e atendeu
o meu pedido
meu desejo mais
antigo
de matar
a saudade
contigo

terça-feira, 17 de julho de 2012

terça-feira, 19 de junho de 2012

aparições



os nervos de aço à flor da pele
a pele arrepiada de ódio
o ódio escorrendo nas veias
as veias com sangue de barata
as baratas sobre o açúcar
o açúcar derramado
o leite quente
o café pingado
no chão

sábado, 28 de abril de 2012

esquecimento

adorei estar contigo
mesmo que o tempo fosse curto
e as sombras, longas
mesmo quando o ruídos dos aviões
encobriram a sua voz, macia
adorei estar contigo nesse outono
próximo
e em tantos outros
rios
mares
marés
adorei andar a pé a seu lado
na trilha da melodia infinita
e silenciosa
benção de mãe
adorei te conhecer
por dentro
ontem
amanheceu mais lento
lembra
faz tanto tempo

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Daqui para cá

´Tão concretas
as abstrações
inertes
em distraídas
elucubrações






































obrigado pelos versos
de reversos

todos os poemas de carol ribeirinha!

sexta-feira, 16 de março de 2012

querência

queria que o texto todo viesse pronto
como um conto
como um ponto
e pronto!
queria mais que três desejos
seus beijos
seu gênio
seu jeito de ser
queria apenas porque queria
não havia nostalgia
agonia
alegria
alegoria
mas como a vida não é sonho
queria mesmo uma poesia
quem diria ao meio dia
poder
encontrar
você

quinta-feira, 8 de março de 2012

na hora do terremoto o melhor é criar asas

tenho escrito poucos
poemas
e andado muito louco
muito apenas
tenho trocado palavras
por poeiras
e sentido as penas acumuladas
em edredons e travesseiros
vou dizer só um pedaço
só o começo
uma única vez
nesta noite
de lua densa
e mansa
perderemos nosso eixo
se planarmos no espaço
trocaremos o tempo
por algo mais útil
pouco me importa
os deuses adormecidos
se ando com uma insônia
sem tamanho
se tenho sonhado contigo
ou se estou contida
em qualquer gotícula
amarga
dos eternos venenos
na hora do terremoto
o melhor é criar asas
na hora do descanso
o melhor é nada

o que importa
se tenho escrito poucos
poemas
se tenho andado muito louco
muito
apenas

sexta-feira, 2 de março de 2012

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

ditado

tempestades solares
raios
ultra violetas
seriguelas maduras
imaginação fértil
o azul do céu azul de montana
costa mesa aracaju
amigos em vários
lugares do mundo
num só mundo
virtual
antes da meia noite
enviam sinais
magnéticos
metafóricos
e a jornada do louco
precipita–se
em pétalas
milagrosas
o silêncio
é apenas
a metade
do que falta
dizer

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012


meu amor era tão lindo
que passou por mim
e deixou flores
sobre a mesa
meu amor voltou mais tarde
quando eu já tinha ido embora
não chora não
meu amor era tão forte
que sobreviveria
até a morte
até a próxima
primavera
meu amor é um presente
pela manhã
depois vai trabalhar
vai saber
meu amor me deixou
numa noite fria
numa fria
daquelas
bem gelada
virou as costas
deu tchau adeus
te ligo amanhã

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

tomorrow

o must de minha performance
naquele dia
era hora do almoço mas já era tarde
demais
quando ele apareceu
nômade
de saia verde
olhos pintados
salto alto
cílios postiços em mim
que acordei agora
ainda tonta de vodka
da noite passada
espreguicei o tédio
fiquei perplexa
mas não demonstrei
isso não tem remédio
eu sei
convidei pra sentar
ofereci um café
com leite
pensei
numa saída
entre o entretanto
e o sinto muito
permaneci de pé
fervi por dentro
como a água da chaleira
num fogo
apagado
e eu transbordei
em lágrimas
chorei um rio
metaforicamente
na pia na sala
na sua ausência
que era a essência da fuga
da música
do verso
do meu fim de tarde
mas você apareceu
sem dúvidas
nem acordo

sábado, 14 de janeiro de 2012

desimportâncias

não importa muito
que dia é esse
se é tempestade
ou se faz sol
não importa muito
se é segunda ou terça
se anoitece
ou simplesmente
eclipse
não importa muito
essa elipse
essa reviravolta
esse teste
não importa muito
a camisa
que você veste
não importa
o sonho que adormece
se a gente se conhece
ou o que jamais se esquece
não importa
por onde se comece
importa mesmo
o fim
da espécie

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

máculas



rever amigos
palíndromos
palavras

reler as falas
as fábulas
passadas

reter conceitos
implícitos
no universo

reinventar trajetos
oásis
desertos

subverter o espaço
cibernético
reverter os polos
magnéticos
repensar os tempos
estratégicos
reduzir os danos
manifestos

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

papo sem fim

ta muito nova
nao gosto dessa midia
meu papel aqui nao eh de poeta
sabe como eh
acho um saco
so eh bom encontrar umas pessoas
mas mesm assim
prefiro abraçar
o mundo

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

de fato
andava distraída
meio deprimida
meio puta da vida
meio não via saída
inteira dúvida disfarçada
inteira desanimada
cabisbaixa
como um oriental
envergonhado
desorientado
justo hoje
no dia da estréia
dei de entregar os pontos
depois de tantos descontos
como quando onde
plantei mais flores
neste caminho
colhi apenas
as penas
de um passarinho