domingo, 17 de abril de 2011

ontem


Afternoon on a Hill

I will be the gladdest thing
Under the sun!
I will touch a hundred flowers
And not pick one.

I will look at cliffs and clouds
With quiet eyes,
Watch the wind bow down the grass,
And the grass rise.

And when lights begin to show
Up from the town,
I will mark which must be mine,
And then start down!

Edna St. Vincent Millay (22 de Fevereiro de 1892 – 19 de Outubro de 1950)
in http://www.gutenberg.org/files/109/109-h/109-h.htm

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Se eu abrisse as trancas e me afastasse e virasse árvore

A CHEGADA DA CAIXA DE ABELHAS

Encomendei esta caixa de madeira
Clara, exata, quase um fardo para carregar.
Eu diria que é um ataúde de um anão ou
De um bebê quadrado
Não fosse o barulho ensurdecedor que dela escapa.

Está trancada, é perigosa.
Tenho de passar a noite com ela e
Não consigo me afastar.
Não tem janelas, não posso ver o que há dentro.
Apenas uma pequena grade e nenhuma saída.

Espio pela grade.
Está escuro, escuro.
Enxame de mãos africanas
Mínimas, encolhidas para exportação,
Negro em negro, escalando com fúria.

Como deixá-las sair?
É o barulho que mais me apavora,
As sílabas ininteligíveis.
São como uma turba romana,
Pequenas, insignificantes como indivíduos, mas meu deus, juntas!

Escuto esse latim furioso.
Não sou um César.
Simplesmente encomendei uma caixa de maníacos.
Podem ser devolvidos.
Podem morrer, não preciso alimentá-los, sou a dona.

Me pergunto se têm fome.
Me pergunto se me esqueceriam
Se eu abrisse as trancas e me afastasse e virasse árvore.
Há laburnos, colunatas louras,
Anáguas de cerejas.

Poderiam imediatamente ignorar-me.
No meu vestido lunar e véu funerário
Não sou uma fonte de mel.
Por que então recorrer a mim?
Amanhã serei Deus, o generoso – vou libertá-los.

A caixa é apenas temporária.

Sylvia Plath (1932-1963)
(tradução de Ana Cândida Perez e Ana Cristina César )
in http://www.culturapara.art.br/opoema/sylviaplath/sylviaplath.htm

quinta-feira, 14 de abril de 2011

transversa
tangencio o tempo
desapareço
toco sua alma
com a ponta
dos meus dedos
toco seu perfume
de romã
num solo
de piano
atravesso
de uma margem
a outra
com dúvidas
na bagagem
neste meio tempo
tangencio o alvo
invisível