quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

ditado

tempestades solares
raios
ultra violetas
seriguelas maduras
imaginação fértil
o azul do céu azul de montana
costa mesa aracaju
amigos em vários
lugares do mundo
num só mundo
virtual
antes da meia noite
enviam sinais
magnéticos
metafóricos
e a jornada do louco
precipita–se
em pétalas
milagrosas
o silêncio
é apenas
a metade
do que falta
dizer

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012


meu amor era tão lindo
que passou por mim
e deixou flores
sobre a mesa
meu amor voltou mais tarde
quando eu já tinha ido embora
não chora não
meu amor era tão forte
que sobreviveria
até a morte
até a próxima
primavera
meu amor é um presente
pela manhã
depois vai trabalhar
vai saber
meu amor me deixou
numa noite fria
numa fria
daquelas
bem gelada
virou as costas
deu tchau adeus
te ligo amanhã

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

tomorrow

o must de minha performance
naquele dia
era hora do almoço mas já era tarde
demais
quando ele apareceu
nômade
de saia verde
olhos pintados
salto alto
cílios postiços em mim
que acordei agora
ainda tonta de vodka
da noite passada
espreguicei o tédio
fiquei perplexa
mas não demonstrei
isso não tem remédio
eu sei
convidei pra sentar
ofereci um café
com leite
pensei
numa saída
entre o entretanto
e o sinto muito
permaneci de pé
fervi por dentro
como a água da chaleira
num fogo
apagado
e eu transbordei
em lágrimas
chorei um rio
metaforicamente
na pia na sala
na sua ausência
que era a essência da fuga
da música
do verso
do meu fim de tarde
mas você apareceu
sem dúvidas
nem acordo

sábado, 14 de janeiro de 2012

desimportâncias

não importa muito
que dia é esse
se é tempestade
ou se faz sol
não importa muito
se é segunda ou terça
se anoitece
ou simplesmente
eclipse
não importa muito
essa elipse
essa reviravolta
esse teste
não importa muito
a camisa
que você veste
não importa
o sonho que adormece
se a gente se conhece
ou o que jamais se esquece
não importa
por onde se comece
importa mesmo
o fim
da espécie

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

máculas



rever amigos
palíndromos
palavras

reler as falas
as fábulas
passadas

reter conceitos
implícitos
no universo

reinventar trajetos
oásis
desertos

subverter o espaço
cibernético
reverter os polos
magnéticos
repensar os tempos
estratégicos
reduzir os danos
manifestos

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

papo sem fim

ta muito nova
nao gosto dessa midia
meu papel aqui nao eh de poeta
sabe como eh
acho um saco
so eh bom encontrar umas pessoas
mas mesm assim
prefiro abraçar
o mundo

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

de fato
andava distraída
meio deprimida
meio puta da vida
meio não via saída
inteira dúvida disfarçada
inteira desanimada
cabisbaixa
como um oriental
envergonhado
desorientado
justo hoje
no dia da estréia
dei de entregar os pontos
depois de tantos descontos
como quando onde
plantei mais flores
neste caminho
colhi apenas
as penas
de um passarinho

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

a batida

um dia de faxina a menos
um dia de café pequeno
um dia mais
um dia ameno

bom dia pra tomar veneno
bom dia para estar sereno
um dia a mais
um dia a menos
é o que temos

um dia pra mudar o mundo
um dia pra encontrar o fundo
um dia claro um dia escuro

é claro
eu não reparo
se o dia é branco
se estamos juntos
o dia é lindo
se chove muito
fica tão úmido
que nasce fungo
se esquenta muito
minha cabeça
dói

um dia só em pensamento
no outro dia - só tormento
um dia passa
o outro é lento

bom dia para um casamento
bom mesmo é estar atento
um dia é mar
um dia é vento
é o que queremos

um dia pra curar o mundo
um dia pra sair do fundo
um dia tenso e outro extenso
é tenso

eu não espero
se dia é blue
você distante
o dia é solo
eu não reparo
não olho as nuvens
não vejo o movimento
meu coração
é só

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

entre venus e plutão
rota de colisão
amsterdam
pela manhã
anéis de saturno
o céu de júpiter
é o limite
acredite
foi afrodite
quem me disse
que entre urano e marte
há um combate
é certo
a bola oito
no buraco negro
é meu palpite
não grite
que a velocidade
da luz
é bem maior
que o lapso
do tempo
e num piscar
de olhos
de Buda
tudo muda
tudo se ajeita
me ajuda
que entre o céu e terra
não há pedra
sobre pedra
que não ceda
água que mata a sede
rompe as nuvens
invade a tarde
até quebrar
sua dureza

terça-feira, 20 de setembro de 2011

ser múltiplo
com talento
polivalente
sem coragem
joana darc
sem elmo
pingo de chuva
na tempestade

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

adoro a luz
adoro a luz verde da tempestade
quando nasce o dia
meu orgulho
é apenas um mal trato
social
despeito
de não ter nascido
para isto
ou aquilo

sábado, 16 de julho de 2011

a lua cheia tem perfume
de flor-de-laranjeira
a lua cheia cheira
perfume de flor

a lua vem
a lua vai
a lua volta, menina

a lua míngua, mina
desaparece

está no céu de dia
à noite cresce

a lua cheia
chega
a noite tece


a lua cheia tem perfume
de flor-de-laranjeira
a lua cheia cheira
perfume de flor
a lua cheia tem perfume
de flor-de-laranjeira

a lua é mulher

segunda-feira, 13 de junho de 2011

jornal da manhã

todo dia
um acidente
diferente
vítima ou
paciente
estatística
evidente
salve sua pele
salvem-se os dentes
os dedos
os indigentes

todo dia
um diferente
vítima
de acidente
estatística
paciente
onipresente
salve sua alma
salvem-se os espíritos
de porco
os loucos
de toda patente

sexta-feira, 3 de junho de 2011

síntese

creia em mim querida
da vida só se tem a medida
quando distraída
ela passa

batida

antiga mente

eu também vou estar velha
na próxima primavera
quem sabe ?
a vomitar
poemas
nas manhãs de maio
prenha
de tanta palavra
numa ânsia
que não se esgota
nessa reviravolta
da palavra que se solta
posso ser ou não
e isto
posto
basta

domingo, 17 de abril de 2011

ontem


Afternoon on a Hill

I will be the gladdest thing
Under the sun!
I will touch a hundred flowers
And not pick one.

I will look at cliffs and clouds
With quiet eyes,
Watch the wind bow down the grass,
And the grass rise.

And when lights begin to show
Up from the town,
I will mark which must be mine,
And then start down!

Edna St. Vincent Millay (22 de Fevereiro de 1892 – 19 de Outubro de 1950)
in http://www.gutenberg.org/files/109/109-h/109-h.htm

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Se eu abrisse as trancas e me afastasse e virasse árvore

A CHEGADA DA CAIXA DE ABELHAS

Encomendei esta caixa de madeira
Clara, exata, quase um fardo para carregar.
Eu diria que é um ataúde de um anão ou
De um bebê quadrado
Não fosse o barulho ensurdecedor que dela escapa.

Está trancada, é perigosa.
Tenho de passar a noite com ela e
Não consigo me afastar.
Não tem janelas, não posso ver o que há dentro.
Apenas uma pequena grade e nenhuma saída.

Espio pela grade.
Está escuro, escuro.
Enxame de mãos africanas
Mínimas, encolhidas para exportação,
Negro em negro, escalando com fúria.

Como deixá-las sair?
É o barulho que mais me apavora,
As sílabas ininteligíveis.
São como uma turba romana,
Pequenas, insignificantes como indivíduos, mas meu deus, juntas!

Escuto esse latim furioso.
Não sou um César.
Simplesmente encomendei uma caixa de maníacos.
Podem ser devolvidos.
Podem morrer, não preciso alimentá-los, sou a dona.

Me pergunto se têm fome.
Me pergunto se me esqueceriam
Se eu abrisse as trancas e me afastasse e virasse árvore.
Há laburnos, colunatas louras,
Anáguas de cerejas.

Poderiam imediatamente ignorar-me.
No meu vestido lunar e véu funerário
Não sou uma fonte de mel.
Por que então recorrer a mim?
Amanhã serei Deus, o generoso – vou libertá-los.

A caixa é apenas temporária.

Sylvia Plath (1932-1963)
(tradução de Ana Cândida Perez e Ana Cristina César )
in http://www.culturapara.art.br/opoema/sylviaplath/sylviaplath.htm