sexta-feira, 18 de novembro de 2011

papo sem fim

ta muito nova
nao gosto dessa midia
meu papel aqui nao eh de poeta
sabe como eh
acho um saco
so eh bom encontrar umas pessoas
mas mesm assim
prefiro abraçar
o mundo

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

de fato
andava distraída
meio deprimida
meio puta da vida
meio não via saída
inteira dúvida disfarçada
inteira desanimada
cabisbaixa
como um oriental
envergonhado
desorientado
justo hoje
no dia da estréia
dei de entregar os pontos
depois de tantos descontos
como quando onde
plantei mais flores
neste caminho
colhi apenas
as penas
de um passarinho

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

a batida

um dia de faxina a menos
um dia de café pequeno
um dia mais
um dia ameno

bom dia pra tomar veneno
bom dia para estar sereno
um dia a mais
um dia a menos
é o que temos

um dia pra mudar o mundo
um dia pra encontrar o fundo
um dia claro um dia escuro

é claro
eu não reparo
se o dia é branco
se estamos juntos
o dia é lindo
se chove muito
fica tão úmido
que nasce fungo
se esquenta muito
minha cabeça
dói

um dia só em pensamento
no outro dia - só tormento
um dia passa
o outro é lento

bom dia para um casamento
bom mesmo é estar atento
um dia é mar
um dia é vento
é o que queremos

um dia pra curar o mundo
um dia pra sair do fundo
um dia tenso e outro extenso
é tenso

eu não espero
se dia é blue
você distante
o dia é solo
eu não reparo
não olho as nuvens
não vejo o movimento
meu coração
é só

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

entre venus e plutão
rota de colisão
amsterdam
pela manhã
anéis de saturno
o céu de júpiter
é o limite
acredite
foi afrodite
quem me disse
que entre urano e marte
há um combate
é certo
a bola oito
no buraco negro
é meu palpite
não grite
que a velocidade
da luz
é bem maior
que o lapso
do tempo
e num piscar
de olhos
de Buda
tudo muda
tudo se ajeita
me ajuda
que entre o céu e terra
não há pedra
sobre pedra
que não ceda
água que mata a sede
rompe as nuvens
invade a tarde
até quebrar
sua dureza

terça-feira, 20 de setembro de 2011

ser múltiplo
com talento
polivalente
sem coragem
joana darc
sem elmo
pingo de chuva
na tempestade

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

adoro a luz
adoro a luz verde da tempestade
quando nasce o dia
meu orgulho
é apenas um mal trato
social
despeito
de não ter nascido
para isto
ou aquilo

sábado, 16 de julho de 2011

a lua cheia tem perfume
de flor-de-laranjeira
a lua cheia cheira
perfume de flor

a lua vem
a lua vai
a lua volta, menina

a lua míngua, mina
desaparece

está no céu de dia
à noite cresce

a lua cheia
chega
a noite tece


a lua cheia tem perfume
de flor-de-laranjeira
a lua cheia cheira
perfume de flor
a lua cheia tem perfume
de flor-de-laranjeira

a lua é mulher

segunda-feira, 13 de junho de 2011

jornal da manhã

todo dia
um acidente
diferente
vítima ou
paciente
estatística
evidente
salve sua pele
salvem-se os dentes
os dedos
os indigentes

todo dia
um diferente
vítima
de acidente
estatística
paciente
onipresente
salve sua alma
salvem-se os espíritos
de porco
os loucos
de toda patente

sexta-feira, 3 de junho de 2011

síntese

creia em mim querida
da vida só se tem a medida
quando distraída
ela passa

batida

antiga mente

eu também vou estar velha
na próxima primavera
quem sabe ?
a vomitar
poemas
nas manhãs de maio
prenha
de tanta palavra
numa ânsia
que não se esgota
nessa reviravolta
da palavra que se solta
posso ser ou não
e isto
posto
basta

domingo, 17 de abril de 2011

ontem


Afternoon on a Hill

I will be the gladdest thing
Under the sun!
I will touch a hundred flowers
And not pick one.

I will look at cliffs and clouds
With quiet eyes,
Watch the wind bow down the grass,
And the grass rise.

And when lights begin to show
Up from the town,
I will mark which must be mine,
And then start down!

Edna St. Vincent Millay (22 de Fevereiro de 1892 – 19 de Outubro de 1950)
in http://www.gutenberg.org/files/109/109-h/109-h.htm

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Se eu abrisse as trancas e me afastasse e virasse árvore

A CHEGADA DA CAIXA DE ABELHAS

Encomendei esta caixa de madeira
Clara, exata, quase um fardo para carregar.
Eu diria que é um ataúde de um anão ou
De um bebê quadrado
Não fosse o barulho ensurdecedor que dela escapa.

Está trancada, é perigosa.
Tenho de passar a noite com ela e
Não consigo me afastar.
Não tem janelas, não posso ver o que há dentro.
Apenas uma pequena grade e nenhuma saída.

Espio pela grade.
Está escuro, escuro.
Enxame de mãos africanas
Mínimas, encolhidas para exportação,
Negro em negro, escalando com fúria.

Como deixá-las sair?
É o barulho que mais me apavora,
As sílabas ininteligíveis.
São como uma turba romana,
Pequenas, insignificantes como indivíduos, mas meu deus, juntas!

Escuto esse latim furioso.
Não sou um César.
Simplesmente encomendei uma caixa de maníacos.
Podem ser devolvidos.
Podem morrer, não preciso alimentá-los, sou a dona.

Me pergunto se têm fome.
Me pergunto se me esqueceriam
Se eu abrisse as trancas e me afastasse e virasse árvore.
Há laburnos, colunatas louras,
Anáguas de cerejas.

Poderiam imediatamente ignorar-me.
No meu vestido lunar e véu funerário
Não sou uma fonte de mel.
Por que então recorrer a mim?
Amanhã serei Deus, o generoso – vou libertá-los.

A caixa é apenas temporária.

Sylvia Plath (1932-1963)
(tradução de Ana Cândida Perez e Ana Cristina César )
in http://www.culturapara.art.br/opoema/sylviaplath/sylviaplath.htm

quinta-feira, 14 de abril de 2011

transversa
tangencio o tempo
desapareço
toco sua alma
com a ponta
dos meus dedos
toco seu perfume
de romã
num solo
de piano
atravesso
de uma margem
a outra
com dúvidas
na bagagem
neste meio tempo
tangencio o alvo
invisível

quarta-feira, 30 de março de 2011

por que?

por que ?
sempre que mercúrio está retrógrado
que mercúrio está retrógrado
sinto uma vontade incontida
de ti
sempre que mercúrio está retrógrado
que mercúrio está retrógrado
uma imagem no espelho espalha
em mim
sempre que mercúrio está retrógrado
que mercúrio está retrógrado
redundo-te redundo-me
rejuvenesço
esqueço
sempre que
mercúrio está retrógrado
que mercúrio está retrógrado
e há algo a fazer

o que?

quarta-feira, 16 de março de 2011

MEIA PALAVRA

pra bom entendedor
meia palavra basta
se bom caçador uma caça
se bom pescador uma rede
pra uma construção
meia parede (basta)
para o violão o acorde
para uma canção um poema
mas pra que dizer o que estava escrito
pra que contar se era infinito


pra bom entendedor
meia palavra basta
se bom caçador uma caça
se bom pescador uma rede
para uma construção meia parede
para o violão o acorde
para uma canção
um poema

pra ir na contramão
basta seguir em frente
pra sofrer da razão
basta ser diferente
pra ter emoção
é só dizer
é só olhar
é só ouvir
perceber que
pra bom entendedor...



Lucina/ Carol

segunda-feira, 14 de março de 2011

SEM TITULO...

EU TENHO PENSADO
EM MANEIRAS
FORMAS
METODOS
SISTEMAS
ESTÉTICAS
MODOS ESPECIFICOS DE FAZER
AISTHÉSIS
MEIOS DE  SALVAR O ZINE
REUNIR O GEL
ENCONTRAR O GEL
PASSAR NA CABEÇA
NA PELE
NO CORPO
NO SACO
NA CARA
DOS MALÓTICOS
DOS HERÁLDICOS
EMBEBEDA-LOS
COM A PURA (OU NÃO)
AISTHESIA POÉTICA
ZINÁTICA
DOS ANARCOPUNKS
DA RIBEIRINHA
DO SACRAWENDELL
 
QUÁ! QUÁ! QUÁ !
MAS QUAL!
COMO SALVAR O ZINE?
COMO REUNIR O GEL?
A REDE HERÁLDICA QUE SISTEMATIZA
PÕE TUDO NOS LUGARES
EM EIXOS FIXOS
TORNA O UNDERGROUND TÃO LEGAL
LEGALIZADO
O UNDERGROUND É UM LUXO...
É TÃO LINDO...
VIAJANTES DESTAS MATÉRIAS
ETÉREAS...
METÉREAS...
NÃO SEI EM QUEM.
VAMOS SALVAR O ZINE !
FAZER MIDIA LIVRE
POLUIR O MUNDO COM POESIAS
ABASTECER
OS BANHEIROS PÚBLICOS
COM ROLOS DE POESIAS
ZINE OBJEKT 30M
AH....UNHNMMMM....
É COMO GRAVAR EM PELÍCULA
NO CINEMATÓGRAFO DOS LUMIÉRE
E EXIBI-LOS
 
EU QUERO!
ZINE !
GEL!
 
QUERO O MANIFESTO QUE NÃO CIRCULOU
NOS CORREDORES ESCUROS
NAS VIELAS E BECOS
DESTE CYBER MUNDO
QUERO TOMAR BANHO NA LAGOA DOS PATOS!
FAZER 4RT3 NO CHÃO
NAS PLACAS DE TRANSITO
NAS PORTAS DOS ONIBUS
NOS TUNEIS DO METRÔ
QUERO... QUERO...
MAS NÃO O FAÇO...
REUNAM OS AISHTEC'S SENHORES !
CORTEM AS COMUNICAÇÕES OFICIAIS
VENÇAM O TÉDIO TECNOLÓGICO!
COMPREM COMPUTADORES E OS TRANQUEM EM PORÕES
 
ESCONDAM AS PRISÕES SISTÊMICAS
ABRAM AS PORTAS DO UNDERGROUND
ABRAM O ALÇAPÃO DO UNDERGROUND
VAMOS AOS SUBTERRÂNEOS AISTHÉSICOS
AOS ESPAÇOS IMPROPRIOS
VAMOS AS GARAGENS HERMÉTICAS
FAZER ARTES EFEMERAS
FAZER ZINE !
FAZER MIDIA LIVRE !
SOLTAR OS GRITOS AISTHÉSICOS!
 
ATENÇÃO UNIDADES AISHTEC'S
A TODO VOLUME [OU NÃO]
TODOS O GRITOS!
NÃO SOU CHURRASCO NEM CHIMARRÃO!
O MUNDO É MINIMO !
24W A71Ç0U A MULHERADA!
ENCONTREI O ALGO QUALQUER !
O FUTURO FOI AGORA A POUCO!
A SOLIDÃO PASSEIA NO AR QUE RESPIRO!
A VIDA TERMINA NO PONTO FINAL!
ENTRE EXCLAMATIVAS E PRERROGATIVAS,
QUANTO PONTO E VIRGULA AINDA RESTA?
TERCEIRO GRITO: CALE-SE!
 
SIM
PRECISAMOS SALVAR O ZINE
ENCONTRAR O ALGO QUALQUER.
ACHAR O GEL
PASSAR NA CABEÇA...
ESSE BANG BANG UM DIA ACABA...
 
ORA, NÃO ME DEIXEM FALANDO SOZINHO
OU FALAR TUDO..
COMPLETEM [OU NÃO]
DIGAM, EVISCEREM SUAS GARGANTAS
RIBEIRESCAS
PUNKS
SACRÁSTICAS
VAMOS RIBEIRIZAR ESTE MUNDO!                              
VAMOS "ATIÇAR" A MULHERADA
VAMOS RETROGRADAR TUDO!
NOS SOMOS OS CÃES DE GUERRA!
VAGAMOS NA TERRA DEVASTADA,
NINGUEM NOS DETERÁ!
PORQUE SOMOS A ONDA AISTHÉSICA
QUE REVERBERA, TODO ECO É OCO!
QUEREMOS VER O OCO.
IR A PRAIA E TOMAR AGUA DE COCO
NÃO SEI QUANDO PARAR...
QUE MERDA!
CALE-SE!
EU QUERO PARAR MAS NÃO CONSIGO...
SEMENTES DE JAH!
VAMOS AOS SUBTERÂNEOS
AOS SUBTERFÚGIOS
CONTERRANEOS
SAIAM DOS REFÚGIOS
 
VAMOS AS GARAGENS HERMÉTICAS
PROCLAMAR NOSSAS HERESIAS
FAZER ZINES E MIDIA LIVRE
SUBVERSÃO?
NÃO, O GEL É LIVRE !
ESTA PREMISSA É MUITO PROFUNDA
E JÁ NÃO SOMOS PARTE
DA ESTÉTICA MALÓTICA
OU HERÁLDICA
NÃO SOMOS FIDALGOS
NÃO SOMOS DESTE UNIVERSO
ONDE OS HERÁLDICOS, OS MALÓTICOS E OS FIDALGOS ESCOLHEM
SE VÃO SER " PAU OU BUNDA..."
 
GEL!
AISTHESIAS
ENTRE RIO GRANDE E RIBEIRÂNEA
OS RIBEIRINHOS GRITAM
E AS AGUAS...
ONDAS RIBEIRESCAS
TODOS RIBEIRINHOS....
JUNTOS SOMOS GEL!
 
 
UAU!
"M3U P4U!"